Fernando Andrade | escritor
Preso estava solto, e solto fugia. Preso estava amordaçado à gramática. Solto pecava poemas terrenos. Preso queria ser palhaço e trabalhar no circo. Solto era guarda de segurança máxima numa penitenciária na Paraíba. Os dois estavam fugindo pela estrada de Louisiana. Preso falava solto, embora isto fosse um absurdo. Queriam ver a estátua da liberdade, e tirar uma fotos dos dois com ela atrás. Preso ao rock solto pelo jazz de Mississippi. Queriam uma banda de dois. Ou então, fazer um dueto de personagens maquiavélicos, tipo black & white. Não se sabe quem seria o cômico preso ao humor ou solto na tragédia grega. Preso ficaria no elevador, e solto não o libertaria. Preso à um casamento, solto na viuvez, depois que a morte os separe. O Luto seria quem, se somos todos uma família da máfia italiana. Um dia o louco baixou num dos dois. Preso o surto solto a loucura. Foram para o Brasil, e viram o congresso, a esquerda e a direita, abaixo à ditadura, viram o capitão solto, solto se ofendeu. Pegaram o primeiro avião para Cuba, \Cuba libre.
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