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Incompletude do que foge da vida quando se sonha algo acima de seus desejos. A vida, como os números da loteria, talvez se faça de acaso no qual a análise combinatória de dados jogue ou não os números certos para cada ser vivente. A primeira novela, Zerinho ou um, com uma história que poderia ter uma pitada de sátira, com a vida esculhambada do brasileiro que vive em qualquer cidade onde as desigualdades sociais imperam, uma sociedade desnivelada e meritória, nos mostra às caras que ter a sorte grande de um dos personagens pode requerer algum trabalho que beira a paranoia. Alexandre usa sempre o humor para relacionar o que tira uma grana boa na loteria com o outro que vive um dia de cada vez, perambulando aos azares do cotidiano mais atroz. Mas eles irão tentar um troca de roupa, de personalidades, cada um vestindo o arquétipo do outro. Mas é o pensamento que faz cada um usar o dinheiro como lhe convier. Não será algum tipo de destino pré-determinado que fará alguém viver e morrer feliz. Mas sim algum tipo de consciência aguda que o acaso detona à plena ou não existência de um ou de outro. Na outra novela do autor, O anjo ouve os noturnos, desenhar um homem e pai morto por uma filha, parece quase um desvendamento de um enigma sobre as sombras que este personagem deixou depois de morrer. A narrativa não carece de qualquer pitada de humor, a reflexão é sobre como certa paternidade, mesmo ausente, deixa pistas sobre o que se passou em sua vida, desde relações fora do casamento até suspeitas de assassinatos. Não é o medo que amortece os pensamentos da filha e de outras mulheres da trama, mas as informações do pai rascunhadas em fendas dos sentidos farão a narradora, quase uma investigadora, correr atrás do rastro estranho de Fernando.
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