A FADA BOÇAL MANDOU BOSTAMENTAR O TRONO E SEU SÉQUITO DE IDIOTAS BABOU-SE TODO NA FAIXA †
III
há vários imbecis
e um outro asno, descendente direto
dos Neros e Napoleões de hospícios esquecidos,
assombrará o Ministério das Não Relações Exteriores
disposto a acabar com a farsa
desses esquerdinhas globalistas
ele tem a erudicção de que olavamente
se necessita para desempenhar
esse papel higiênico na história
é muito bem preparado para tanto
dizem os jornais
como um Nero, um Napoleão
dos hospícios esquecidos
honrando a marca de tradição que sustentará eticamente
o novo presépio
IV
hoje, ainda hoje,
outro boçal vai mandar sua boça na economia
pôr abaixo os privilégios!
privilégios desses fudidos!
todo mundo agora é igual nessa porra!
ouviu, pobretada?
sem privilégios!
sem esse mimimi
que nos assola desde a ditadura socialista gayzista
agora o País vai crescer você vai ver
atingiremos um novo pata ao mar
os verdadeiros vencedores vão tocar essa bagaça
os caras da Banca!
e toda a nação em verde-amarelo saudará
eia, cavalos!
esses quão dignos e bem fundados agiotas
que lhes concederão graciosamente
que fofos!
excelentes formas de investimento em si
em troca de módicas dívidas perpétuas
ufanimem-se!
isso de escravidão monetária é balela
V
tal de hoje é ainda um dia inesquecível para
nosso regime coisocrático
porque toma posse, finalmente, depois de muita labuta,
o super-herói incornado
o arauto da moralidade suprema infajuta
o próprio encarnado da ideia de justiça-
mento, em pessoa-cão
ele não será qualquer ministro-monstrengo
vai ser maior, vai ser A Lenda
o acabador das corrupiações tudo
o indigitado El Salvador
o Moropicão nazional!
ouvem-se urros nas ruas antes ermas
da Barra da Tijuca
centro de incelença caritosca
dessa gente de bens
há salvas de tiros num esquerdopata engaiolado
na República de Curitiba
outro ótimo exemplo da Nova Ordem Amém
que se precipita
VI
hoje um grande putavelhaco
demoarenapefelê autêntico
também será empossalhado
no estratégico cargo de
ministro da Casa Servil
esse dispensa comentários
boçal dos bois!
testado experimentado faca amolada que nem a faca da vitória eleitoral
ele está ungido em nome do Senhor
sem repreensão!
e com a distribuição massiva à população
da vacina antipetística pró-rabica
é só trancafiar uns comunistas no chilindró
que ninguém vai reparar a sanha desse hombre de inescrúpulos
ele será defendido com hinos e dentes
trata-se apenas de um ônix a se pagar sai no ralo
seu milico manda bala se alguém chiar
que ele é peça mais que necessária para ajudar
com o seu Centrão ula-ula na Grande Construção
na tarefa-sonho de um Brazil mãsti béster
ai que orgulho!
VII
e seus mais de 20 posseiros miniestéreis
hoje, um dia especiboçal para cada
imbecil que não é só um imbecil
pois hoje qualquer imbecil pode babar sossegado
e bradar: que morram trucidados
a ironia fina
a reza que ecoa tambor
o valor das micro-histórias
o verso que esbraveja
o samba que desguia
(eis que todos continuarão de mãos dadas
em riste de flores-armas
de resistir em centelha de existências)
porque nenhum vagabundo vai ficar dando sopa por aí
(sopa, só pentebostal!)
falando pelos cotovelhos
que estudou e os escambaus
porque agora a infornação é outra
sabor revolvinho de mão e coturno
e todo imbecil será enfim vingado
depois de uma esculhambação de tantos anos
pois o País embasbacado entre destroços
está enfim de volta ao seu curral de curso
VIII
e assim, neste Dia Mundial da Assunção de Bundas-Rachadas
com uma fáscio população fazendo bá-bum e trá-trá-trá
com a bocarra torta e vomitada
arquetípica de um honesto homem-de-família
– e sob pena
mas somente em caso de terrorismo!
de mortes ou desaparecimentos
de más sortes programadas ou esmorecimentos forçados
além de umas porradas e de uns ratinhos enfiados no olho do cu –
ora se celebra-decreta:
(cuidado!)
um imbecil não é um imbecil não é um imbecil
Zeh Gustavo é músico, escritor e revisor de textos. Publicou, em 2018, o livro de contos Eu
algum na multidão de motocicletas verdes agonizantes (Editora Viés), livro vencedor do Prêmio
Lima Barreto de Contos da Academia Carioca de Letras. Canta no grupo de samba Terreiro de Breque e no bloco de carnaval Cordão do Prata Preta. Na literatura, publicou, ainda, entre outras obras, os livros de poesia Pedagogia do suprimido (Verve, 2013; Autografia, 2015), A perspectiva do quase (Arte Paubrasil, 2008) e Idade do zero (Escrituras, 2005). Participou ainda de antologias como O meu lugar (Mórula, 2015), Rio de Janeiro: alguns de seus gênios e muitos delírios(Autografia, 2015) e Porremas (Mórula, 2018).
I
Meu amigo Zeh Gustavo.
Ainda guardo e releio sempre seu primeiro livro de poesias que, quando o adquiri já antevia ser próprio de um grande talento.
Maravilhosa essa obra que classificou como prosa satírica, ou TEXTO PARA ESCULHAMBAR IDIOTAS.